Mohandas Karamchand Gandhi, mais conhecido como "Mahatma" (grande
alma) Gandhi, nasceu dia 2 de outubro de 1869, na Índia Ocidental.
Seu pai era político local e sua mãe, religiosa. Aos 13 anos,
se casou com uma garota de sua idade e iniciou uma vida de sexo ativa. Desafiando
regras de sua casta, foi estudar Direito na Inglaterra, prometendo se abster
de vinho, mulheres e prazeres. Lá ele adotou o vegetarianismo e organizou
um clube vegetariano com interesses altruísticos. Sua primeira leitura
foi o texto da escritura hindu (Bhagavad –Gita), A Canção
Celestial. Esta escritura e o sermão da Montanha passaram a guiá-lo
espiritualmente em suas meditações e orações
diárias.
Retorna à Índia em 1891, após a morte de sua mãe,
e tenta a carreira de advogado. Vai até a África do Sul para
defender uma empresa hindu num processo judicial. A discriminação
racial lá praticada despertou sua consciência social. Para
ele, “o aprendizado me levou a descobrir o lado melhor da natureza
humana e a entrar no coração dos homens”.
Ao deixar a África, leu no jornal que estava sendo proposta uma lei
que privaria os hindus do voto. Apoiado pelos amigos, ele fundou em Natal
o Congresso hindu, em 1894. Vai à Índia buscar sua esposa
e filhos em 1897 e, ao retornar à África, sofreu ameaças
para interromper suas atividades como advogado. Após escapar de espancamentos
e até de linchamento, ele se recusa a processar os que o maltrataram.
Acreditava firmemente no princípio de ego-restrição,
com respeito a uma pessoa infratora. Depois disso, apoiou os britânicos
na Guerra Bôer. Gandhi permaneceu na África do Sul por 20 anos,
defendendo os direitos dos hindus.
Experimentou o celibato por trinta anos. Em 1906 levou o juramento Brahmacharya
para o resto da vida. Em setembro deste ano, ocorreu a primeira desobediência
civil em massa. O governo de Transvaal quis registrar a população
hindu. Furiosos com a ordem humilhante ameaçaram responder violentamente.
No entanto, decidiram não obedecer. Gandhi chamou esta técnica
de Satyagraha, isto é, força da verdade. Mas em 1907, o governo
instituiu o ato de inscrição, levando à prisão
Gandhi e vários hindus. Sua pena foi de dois meses sem trabalho duro.
Dedicou-se então à leitura de obras como Desobediência
Civil, de Thoreau e trabalhos de Tolstoy. Logo ele começou a perceber
as possibilidades infinitas do “amor universal”.
O movimento pela conquista dos direitos indianos na África do Sul
continuou crescendo, apesar de perseguições e prisões
de milhares de indianos. Para enfrentá-las, Gandhi desenvolveu a
atitude da “não violência”, ou “ahimsa”
(sem dor, a base da procura para a verdade). Segundo ele, quando se vive
espiritualmente, ferir ou atacar outra pessoa significa atacar a si mesmo.
Gandhi instituiu duas comunidades rurais: em Satyagrahis-Phoenix Farm e
Tolstoy Farm. Escreveu e editou o diário "Opinião indiana",
para elucidar os princípios e a prática de Satyagraha, discutindo
temas como: direitos dos hindus na África do Sul, proibição
de imigrantes asiáticos e a não validade de todos casamentos
não cristãos.
Em 1913, ao conduzir uma marcha com mais de duas mil pessoas, foi preso
e solto sob fiança e preso novamente. As greves continuavam, envolvendo
cerca de 50 mil operários e milhares de indianos escravizados na
prisão. Em outro episódio, Gandhi foi expulso da primeira
classe de um trem ao se recusar a ceder seu lugar a um branco. Mesmo assim,
ele cancela uma nova marcha e prega “o perdão é o ornamento
do valente”. Depois de muita negociação, os matrimônios
tornaram-se válidos independentes da religião, os impostos
atrasados foram cancelados e concederam mais liberdade aos indianos. Gandhi
constatou o poder do método Satyagraha para transformar a civilização
moderna. “É uma força que se ficasse universal revolucionaria
ideais sociais e anularia o despotismo e o militarismo”.
Em 1915, ele voltou à Índia para exercer seu papel de conscientizador
da sociedade hindu e muçulmana na luta pacífica pela independência
indiana, baseada no uso da não-violência. Ele continuou a ajudar
necessitados e crianças e a protestar contra injustiças aos
operários de tecelagens. Detido novamente, reconheceram que ele era
o único que poderia controlar a multidão. A outros trabalhadores
oprimidos pelas regras coloniais britânicas, ele incentivou a desobediência
civil e jejuou para fortalecer e encorajar aqueles que o amavam.
Um dos maiores desafios de Gandhi contra o governo britânico na Índia
foi em 1919, contra os poderes arbitrários do Rowlatt Act. A redução
da liberdade civil revoltou as massas e a violência era geral. Ele
pediu uma greve geral mas a cancelou. Em 1920 iniciou campanha nacional
de não cooperação com os britânicos. Ele divulgava
suas idéias em dois semanários: Índia Jovem, em inglês,
e o Navajivan em Gujarati. Viajou por toda a Índia mostrando a necessidade
da prática da desobediência civil e do uso da não violência.
Escreveu sua autobiografia nos fins dos anos 20, mostrando o esforço
de superar os próprios erros. Seu programa contemplava: igualdade,
nenhum uso de álcool ou droga, unidade hindu-muçulmana, amizade
e igualdade para as mulheres. Estes cinco pontos representavam os dedos
da mão, e conectados ao pulso, simbolizavam a não-violência.
Finalmente, em 1928, após muitos atos de desobediência civil
contra o aumento de 20% em impostos britânicos, conseguiram cancelar
o aumento, libertar os presos e devolver terras confiscadas. Sua luta pela
independência da Índia prosseguia, com data limite estabelecida
por ele até o fim de 1929.
Outro ato histórico foi desobedecer à “Lei Salgada”,
que proibia a população de fazer seu próprio sal, monopólio
dos ingleses. Gandhi juntou milhares de pessoas que passaram a fazer o próprio
sal com água do mar. O movimento cresceu tanto que os presídios
não comportavam mais tanta gente. A repercussão na Europa
foi tamanha que Gandhi foi chamado para reunir-se com o vice-rei Irwin,
em 1931. O acordo entre eles resultou no fim da desobediência civil,
na soltura dos presos e na permissão da fábrica do sal. Ocorreu
uma grande conferência em Londres e Gandhi pode conhecer Charlie Chaplin,
George Bernard Shaw, Maria Montessori, entre outros. Em transmissão
de rádio para os Estados Unidos, falou que a força não
violenta é o modo mais consistente, humano e digno. Discutindo relações
com os britânicos, afirmou que não queria somente a independência,
mas também a interdependência voluntária baseada no
amor.
Para defender o direito de castas como os harijans, ele iniciou jejum em
1932. No ano seguinte, o jejum de 21 dias para purificação
o levou à prisão, pois funcionários britânicos
temiam sua morte. Mesmo com a proximidade da II Guerra Mundial, a todos
os envolvidos ele recomendava a não violência contra Mussolini.
Em 1942, preso junto com outros líderes da luta pela não-violência,
somente ele sobreviveu ao jejum. Ao término da guerra, falou sobre
“a necessidade de uma paz real baseada na liberdade e igualdade de
todas as raças e nações”. A independência
da Índia foi conquistada em 15 de agosto de 1947, antes disso ele
ainda enfrentou vários conflitos entre hindus e muçulmanos,
que queriam um estado livre para o Paquistão. A Índia realizou,
assim, a maior revolução não-violenta da história
mundial. Gandhi foi assassinado por um hindu numa reunião de oração,
em 30 de janeiro de 1948.
Mais frases:
"A minha vida é um Todo indivisível e todos os meus
atos convergem uns nos outros. Todos eles nascem do insaciável
amor que tenho para com toda a humanidade”.
"Creio poder afirmar, sem arrogância e com a devida humildade,
que a minha mensagem e os meus métodos são válidos,
em sua essência, para todo o mundo”.
"A não-violência não existe se apenas amamos
aqueles que nos amam. Só há não-violência quando
amamos aqueles que nos odeiam. Sei como é difícil assumir
essa grande lei do amor. Mas todas as coisas grandes e boas não
são difíceis de realizar? O amor a quem nos odeia é
o mais difícil de tudo. Mas, com a graça de Deus, até
mesmo essa coisa tão difícil se torna fácil de realizar,
se assim queremos”.
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