Capital humano Luiz Gonzaga Bertelli (*)
O estágio é cada vez mais valorizado como ferramenta de desenvolvimento de futuros talentos das empresas, como comprova o balanço de 2006 do Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE), ao registrar um aumento de 12,5% na oferta de oportunidades oferecidas a alunos dos ensinos médio, técnico e superior aumentou em 2006, em relação ao ano anterior. Em números absolutos, esse percentual significa 205 mil vagas abertas em empresas, órgãos públicos e entidades do 3º Setor para treinamento supervisionado de jovens em ambiente real de trabalho.
Mais do que estatísticas em alta, essa notícia evidencia a crescente percepção, por parte de empresários, executivos e gestores, do valor do investimento em programas de estágio. Afinal, a economia moderna demanda trabalhadores não só com conhecimentos técnicos, mas também com habilidades atitudinais. Foi-se a época do trabalhador autômato, que realizava suas tarefas como uma máquina. Agora, chegou a vez de profissionais que, além dos conhecimentos adquiridos em sala de aula, saibam tomar decisões rapidamente e relacionar-se bem com suas equipes, entre outras aptidões. Fatores como esses são decisivos para o sucesso das organizações empresariais modernas que têm consciência de que o seu capital mais importante é o humano.
Nesse sentido, as principais contribuições do estágio não se resumem somente à aplicação prática da teoria aprendida na escola e ao desenvolvimento de atitudes adequadas ao ambiente corporativo. De acordo com uma pesquisa realizada pelo Instituto TNS InterScience, os estudantes avaliam que essa experiência prática resulta, entre outros ganhos, na melhora do comportamento em ambiente organizacional e do modo de falar e vestir-se. Outro importante benefício, apontado por 84% dos entrevistados, é a aquisição de desenvoltura e “jogo de cintura”. Esse último é curioso porque, em última análise, permite identificar que os jovens percebem que, no estágio, não estão lidando nem com amigos ou com a família, o que pressuporia uma relação em que tudo pode ser falado ou ouvido. Eles aprendem que, na empresa, o ambiente é outro e exige respeito, por exemplo, à hierarquia.
Outra pesquisa, também realizada pelo Instituto TNS InterScience, mostra o lado das empresas quando o assunto é benefício gerado por esse tipo de treinamento: 64% dos ex-estagiários são efetivados, confirmando que o investimento em estágios comprovadamente vale a pena.
(*) Luiz Gonzaga Bertelli é presidente executivo do Centro de Integração Empresa-Escola - CIEE, da Academia Paulista de História – APH e diretor da Fiesp.
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