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SEÇÃO: AMIGOS & CONVIDADOS
Pensar e agir pela Sustentabilidade
A ação sustentável passa por várias vertentes. Nas estratégias de negócios, na consciência dos limites de nossos recursos naturais, no novo olhar sobre o patrimônio humano de empresas e corporações e nas outras bandeiras socioambientais que esta nova corrente de mercado exige. Mas a prática já provou que a Educação é o início de tudo, com mudança de atitudes e quebra de paradigmas.
Nessa edição os leitores têm a chance de conhecer um pouco do pensamento da advogada Gleice Marote, também parceira de projetos voluntários na Comissão de Responsabilidade Social da OAB-SP. Jovem e com disposição para apoiar a gratificante tarefa da educação sustentável, ela traz algumas reflexões para inspirar os que desejam entrar na sintonia.
Educação para a sustentabilidade – Quem é o professor?
Por Gleice da Silva Marote Rodrigues*
A educação é um assunto que não é de hoje merece especial atenção em nossa sociedade. A educação edifica a cultura, prepara o indivíduo, dá a base para o crescimento e desenvolvimento. A pergunta que fazemos agora é: que tipo de desenvolvimento queremos daqui para frente? Temos vivido em tempos desafiadores.
Os alertas chegam de todos os lugares e das mais diferentes formas, seja através da manifestação da própria natureza e não mais apenas do que os ambientalistas alertavam; seja através da violência não só batendo à porta, mas efetivamente dentro de nossas casas; pela agressão direta, pelos meios de comunicação ou outras tantas formas; seja pelas crises econômicas que não afetam mais apenas os menos favorecidos, mas abalam toda a estrutura, como um verdadeiro derrubar de dominós. Efeitos do mundo globalizado? Sim, de certa forma, mas além da globalização o que atualmente salta aos nossos olhos é a interdependência.
No mundo atual todos os alertas cansaram de gritar, é o momento de sofrer algumas consequências das ações do passado e ainda do presente e de mudar. Mudar pensamentos, palavras, ações, atitudes, hábitos, modelos mentais, enfim, mudar uma cultura. Os especialistas no tema nos indicam que uma mudança de cultura leva em torno de 7 anos para acontecer. Portanto, não há tempo a perder, sob pena de não haver tempo para buscar... Bom que, em alguns lugares, vemos sementinhas sendo plantadas pela cultura da sustentabilidade e essa mudança depende ostensivamente de educação.
É momento de rever as bases da educação. O papel do professor, do aluno, da escola, dos pais, da sociedade. Na sociedade, a informação está cada dia mais disseminada, escândalos começam a acontecer e a serem divulgados, máscaras começam a cair. Modelo que chega à escola, às organizações... O que sustentará os indivíduos, as organizações e a sociedade? A rede. O reconhecimento e a valorização da interpendência. Os tempos em que a hierarquia e a competição organizavam e representavam os valores da sociedade vão se esvaindo. Que veja quem tem olhos de ver e ouça quem tem ouvidos de ouvir. A cultura da monopolização da informação e da decisão não se sustentam mais. Não engajam, não envolvem, não geram resultado. Não o resultado que se sustenta. Por que? Porque não é o resultado de todos, compartilhado, em que as pessoas se sentem parte.
E então, quem é o professor? Quem educa para a sustentabilidade? Todos são influenciadores e influenciados. Ninguém sabe mais do que ninguém. Uns sabem mais de umas coisas e outros de outras. A grande sacada é conseguir somar esses conhecimentos e potenciais. É a humildade e a interdependência. Nas escolas e em todos os locais de educação é o momento de rever as diretrizes. O modelo hierarquizado está em xeque e não é de hoje. Busca-se o enraizamento da figura do educador-educando, a cultura de colaboração, onde todos participam não em um trabalho em equipe ou em grupo, que novamente tende ao nosso olhar reducionista, mas à amplitude geral.
É chegado o momento do pensamento complexo. A educação para a sustentabilidade não foca no poder, mas na responsabilidade. Qual a sua parte aluno e professor?
*Gleice é advogada, líder em coaching e sustentabilidade, membro da Comissão de Responsabilidade Social da OAB/SP e voluntária em projetos relacionados à educação. |