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Saber Viver


O nome foi escolhido a dedo: Saber Viver, isso porque cada vez mais é preciso buscar reforço no estímulo para a vida, para o trabalho, para a iniciativa de empreender e fazer a diferença. Esperamos poder servir de inspiração. Se quiser enviar sua contribuição, fale conosco! Boa leitura!

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 Olá,                                                                                                                                                                                   Sábado, dia 20 de fevereiro de 2010, recebi às 6 e meia da manhã ligação da filha do dr. Sergio Rodrigues, a Ana Lúcia, com a notícia do falecimento deste amigo ímpar, que agora nos deixa para iluminar outras vidas, em sua próxima existência. No velório, encontrei vários amigos da Fiesp, colaboradores, diretores e o ex-presidente Carlos Eduardo Moreira Ferreira, citado no artigo abaixo e sem dúvida uma pessoa que o dr. Sergio muito estimava. Nos abraços de conforto entre os que tiveram a chance de compatilhar de sua amizade, nenhuma palavra, apenas a sensação da saudade que fica, apenas isso. Mantenho este artigo abaixo, escrito ano passado, para que sua trajetória marcante e carinhosa possa servir de inspiração aos leitores. A foto é a lembrança que faço questão de guardar, assim, sorriso e olhar fraterno, que jamais se apaga.Boa leitura
                                                                                                                                                                                              
Seção: BOA ESPERANÇA
 

     Olá, pessoal!

Numa empresa, a liderança humanista é aquela que sem querer planta a semente da gratidão no coração de cada colaborador, de cada parceiro de trabalho com quem convive. Harmoniza o presente e influencia positivamente o futuro. Sobrevive ao tempo, às intempéries e deixa seu legado.
 Senso de justiça e humanidade talvez traduzam em parte a marca que Sergio Rodrigues ainda alimenta no coração de muita gente, e no meu de forma muito especial. A foto abaixo tem pelo menos 15 anos, selecionada de álbuns que mantenho como tesouro. Hoje, aos 78 anos, vai driblando as dificuldades advindas da idade, agravadas pelo uso do cigarro na juventude. Mas sem perder o humor e manifestações de carinho e estímulo, sempre peculiares à sua natureza. 
 
É um dos exemplos de destaque desta edição, que compartilho com todos. Boa leitura!

 Sergio Rodrigues e sua marca: a gestão humanística

Gleice Carvalho*

   
Em todas as imagens o sorriso é o mesmo, largo e franco. Tudo que viu e viveu em 50 anos de trabalho na Fiesp renderia um livro fantástico sobre o processo de industrialização nacional. Mas a leitura que faço aqui é sobre sua interferência no destino, no futuro e na visão de vida de colaboradores e parceiros dessa entidade. Em 20 anos trabalhados lá, mais da metade tive o privilégio de viver e aprender com ele, que entrou na entidade como auxiliar de escritório, até chegar ao mais alto posto funcional, o de secretário-geral. 
     Por ato do então presidente da Fiesp/Ciesp, Theobaldo De Nigris, manteve-se no cargo pela confirnaça de três presidentes sucessores: Luis Eulálio de Bueno Vidigal; Mario Amato e Carlos Eduardo Moreira Ferreira, cada um exercendo seis anos de gestão. Na de Moreira Ferreira, em janeiro de 1996, aposentou-se no cargo de secretário-geral (cargo extinto após sua saída), mas permaneceu na entidade, a convite, na condição de assessor especial da Presidência. Em outubro de 1998, na gestão de Horacio Lafer Piva (este também vai merecer um capítulo especial nesta seção), Sergio Rodrigues despedia-se de suas funções, mesmo sendo convidado a continuar. “Está na hora de parar”, ria ele. 
    Já viúvo, foi para seu merecido descanso em casa,depois de meio século ininterrupto de trabalho, compartilhar o amor das filhas e netos. Deixou sua sala no andar da presidência, mantida sempre aberta aos que quisessem e precisassem conversar. Líder que é líder precisa gostar de gente, respeitar as diferenças, valorizar o esforço e fazer valer a justiça. Na década de 1980, quando entrei na entidade, pouco se falava em “gestão de pessoas” e a atuação do RH, então DP, mantinha suas limitações e status, de poder e pouco diálogo. Com quem contar então? Falar da dificuldade na família, no trabalho, na profissão. Dos anseios, planos e projetos... Ah! Essa pessoa era Sergio Rodrigues, sinalizou a amiga desde então, Sonia Brutomesso. Para ajudar, suas secretárias seguiram sempre seu estilo, e participaram desse processo humanizado criado por ele. 
    Tenho muitas lembranças gratas, vividas por amigos próximos, outros nem tanto, e alguns bem pessoais. Muitos receberam estímulo para provar sua competência; outros conseguiram deixar o vício pelo seu incentivo; e todos, sem exceção, tiveram a chance de conquistar um local para troca de idéias e descontração. O Clube de Funcionários, o Ciesp Clube, cuja sede levava seu nome, foi reduzido na atual gestão à colônia de férias e uma saleta onde funciona a secretaria. Mas as lembranças de toda essa época, do espaço físico para troca de ideias e atividades de qualidade de vida, ainda se mantêm vivas e repassadas aos que chegam hoje por lá. “ Bons tempos”. 
   Formado em Direito, Sergio Rodrigues exercia liderança com justiça. Dentre as várias lembranças que guardo de sua atitude, aqui no campo pessoal, destaco apenas uma. Eu já estava na Fiesp há dois anos, como jornalista. Surgiram vagas de office boy e acabei indicando quatro garotos, um deles meu sobrinho. Todos passaram nos testes, sendo indicados para setores específicos. Alguns meses depois, pelo sorteio de vagas, meu sobrinho Ricardo Shin acabou entrando justamente no meu setor. Esforçado, foi se mantendo bem na função até que no ano seguinte seu emprego foi ameaçado por uma “denúncia”, de uma funcionária do nosso próprio setor, relatando ao DP a incompatibilidade de graus de parentesco no mesmo departamento. Fiquei sabendo pelo nosso administrativo, o saudoso João Menegalle, bastante sentido pela atitude inescrupulosa dentro de nossa área. “ Não adianta ir ao DP, eles vão demiti-lo”, avisou. 
    Fiquei muito triste, preocupada, especialmente pelo fato de Ricardo entrar na fase de Exército justamente naquele período, o que limitaria suas chances de continuar a ajudar os pais no sustento da família. Estimulada pela Soninha, que ajustou tudo, fui então encarar pela primeira vez a sala do chefe de gabinete. “ Entra, filha, o que posso ajudar?”. Ah...esta frase provocou um alívio enorme no tremor das pernas. Disse a ele que havia sido informada, extraoficialmente, da demissão do meu sobrinho e pedia a ele que apenas trocasse a demissão. Eu poderia sair, pois estava formada e daria um jeito, mas que poupasse o garoto. 
    Foi rápido, mas terno, em suas palavras. Alertou-me sobre as regras do RH, mas que estudaria o caso. Soube depois pelo Menegalle que ele pedira um relatório completo sobre a atuação do Ricardo. Depois conversou com meu superior sobre a minha. Dias depois, ele me chamou e em apenas três minutos fincou no meu peito, e na minha trajetória  profissional, seu senso de humanidade e estímulo. “Fique tranqüila, ninguém vai sair. Pelo que vi não há nenhum desabono na atitude de vocês e apenas me prometa que vai se dedicar ainda mais a partir de agora. Seja a melhor jornalista deste prédio e garanta que seu sobrinho seja um grande homem no futuro”. 
     Três minutos que marcaram não só minha vida profissional na Fiesp, onde fiquei por 20 anos. Meu sobrinho, Ricardo, passou 10 anos por ali, até formar-se advogado, como o próprio Sergio Rodrigues, e ser convidado a atuar numa outra entidade, onde está até hoje, exercendo papel de liderança igualmente humanista. 
     Acredito que atitudes de prezar uma única pessoa, dar-lhe seu voto de confiança, geram renovadas histórias de vida, influencia o futuro de forma positiva e faz bem ao espírito. Minha formação de vida me faz buscar sempre a oportunidade de agradecer. Todos os anos, no dia 16 de janeiro, acordo bem cedo e lembro com alegria: mais um aniversário do Dr. Sergio. E no meu aniversário, sua ligação é infalível. Não o visito com a freqüência devida, mas as ligações são constantes. Por meio da Soninha ou do também amigo Jorge Sá, vamos acompanhando seu dia-a-dia, cuidado de perto pelas filhas. 
    Uma existência só tem valor quando olhamos ao lado e constatamos os amigos sinceros que temos. Na família original e na construída ao longo dos tempos, nas empresas ou nos bancos escolares. Lembrar com gratidão dos que nos deram a chance de aprender e crescer faz um bem danado e é por isso que minha gratidão por Sergio Rodrigues é eterna. 

Ah! Se deseja comentar sobre sua vivência com este amigo, envie mensagem pelo Fale Conosco do site. Vamos publicar também!

*Gleice Carvalho, jornalista, dirige a Agência Cultura de Paz.

E.T:
sobre o título da seção, uma dupla homenagem. À minha cidade de origem, Boa Esperança, um dos mais incríveis luares do sul de Minas: meu orgulho mineiro e suas principais marcas como gosto pela observação e apreço às coisas simples da vida.
A segunda homenagem, aos leitores do Saber Viver, no desejo de que as leituras de alguns cases e “causos” possam inspirar suas ações. E como somos o que acreditamos, este espaço trará muito do pensamento e visão do educador Daisaku Ikeda, que me fez acreditar e agir na Comunicação pela Cultura de Paz. 
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 




















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