Saber
Viver
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O nome foi escolhido a dedo: Saber Viver, isso porque cada vez
mais é preciso buscar reforço no estímulo
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Seção: BOA ESPERANÇA
Olá, pessoal! A São Paulo Fashion Week teve uma magia especial este ano. Conheci fora dali uma jovem de 37 anos, foto ao lado, dona de gestos meigos, voz idem, mas que se revelou numa força gigante, capaz de mudar a vida de muita gente. Falo do contato com uma das estilistas convidadas, a francesa Sakina (fala-se Sakiná), que trouxe para o evento seu estilo de desconstruir e reconstruir peças. Resultado incrível. Mas vi também sua energia e carisma na construção de novas identidades de mulheres da periferia, garbosas frente ao resultado daquela máxima que diz que “Somos o que acreditamos ser”. À Sakina vai esse mérito, de estimular potenciais e fazer viver em outras mulheres o sonho da realização, que ela já experimenta há um bom tempo. Divido abaixo um pouco de sua história de conquistas. Boa leitura!
As nuances da reconstrução * Gleice Carvalho Apreciar o trabalho da estilista nascida nas Ilhas Comores e radicada na França, Sakina, 37 anos, uma das estrelas convidadas da São Paulo Fashion Week deste ano, é participar da vivência de sua própria trajetória. Filha de dona de casa e de açougueiro, desde os 14 anos Sakina sabia que teria de rasgar preconceitos, desfazer as amarras de sua realidade pobre e construir nova modelagem. Respirava o gosto pela moda e sem dar ouvidos aos colegas que diziam tratar-se de profissão de “rico”, deu o primeiro passo. Montou um grupo de peças e convidou a primeira dama da cidade onde morava para um “desfile”. Pela voz, era impossível não perceber que se tratava de uma criança, mas mesmo assim o convite foi aceito. O evento aconteceu no colégio onde estudava, com as amigas desfilando uma coleção sem linhas nem costuras, apenas fechadas por grampeador caseiro. Dois anos depois, ao participar de um concurso, Sakina foi finalista e teria direito a troféu e tudo mais. Na platéia, novo encontro com a primeira dama, que ao reconhecê-la sugeriu que o prêmio fosse algo mais significativo. Foi aí sua primeira conquista: um curso em Paris, onde se formou. “ Eu só sabia que queria vencer, mas não sozinha”, afirma. Por falta de estágios, decidiu começar com produções no bairro onde morava, Seine St Denis , reunindo mulheres da periferia. Criou depois o Atelier du Tissu Social (ateliê do tecido social), com pessoas que não sabiam sequer usar uma tesoura. Juntas, descobriram uma forma de ver e viver a moda. O sucesso veio rápido e atraiu contrato da prefeitura para desenvolver projetos em outros bairros, e até em outros países. Não sem antes ter sua coleção à venda na prestigiada Galeria Lafayette e desfile apreciado no Louvre, como alguns exemplos de sua conquista profissional. Sakina gosta do que vê e consegue transformar. Viaja então pelo mundo em busca de novas formas de criação, atuando sempre com comunidade carentes, especialidade reconhecida internacionalmente. Nesta edição da Fashion Week, ao lado de costureiras francesas, integram o trabalho um grupo de mulheres do Movimento Comunitário Estrela Nova, do Campo Limpo, zona sul de São Paulo. Elas participam do desafio proposto pelo estilo de Sakina.Costurar uma peça e depois descontruí-la, chegando a uma nova criação. “ As brasileiras foram muito criativas e surpreenderam pela falta de acesso a técnicas”, reforçou. Alunos de moda da Anhembi Morumbi foram também envolvidos. O resultado de toda essa parceria levantou aplausos nos desfiles da estilista, orgulhosa de sua realização. Para 2010, a proposta é envolver as costureiras brasileiras numa exposição. Sakina surpreende pela simplicidade e pelo vigor com que dita as regras do respeito à dignidade humana. Para ela a capacidade interior de acreditar e ir em busca de seus sonhos é uma importante lição a ser ensinada. “Todos são capazes”, enfatiza. Numa brecha de sua agenda, Sakina nos encontrou numa pequena reunião de diálogo da Associação Brasil Soka Gakkai (Brasil SGI), no bairro da Bela Vista. Sua rápida e enfática exposição foi uma lição de vida a todos os presentes. “Há 5 anos pertenço à SGI da França e consegui encontrar inspiração para seguir na vida e na minha profissão, com essa consciência pelo outro”, afirmou. “ Encontrei no humanista Daisaku Ikeda a pessoa que consegue entender o que sinto e fala direto com meu coração”. Daí a emoção produzida pelos seus desfiles na São Paulo Fashion Week, tradução real do sentimento de envolver pessoas numa proposta simples: vencer e sempre levar alguém junto. Na platéia, não por acaso, era fácil observar olhares igualmente orgulhosos, e aplausos espontâneos. Mesclando com críticos e lojistas, estavam ali muitos pais, parentes e amigos das costureiras e modelos alçadas à fama num evento social que certamente marcou suas vidas. Até aquele momento, muitas devem ter perdido o ânimo, mas venceram. Soube que no movimento Estrela Nova, do Campo Limpo, são atendidas em médias 500 mulheres por mês em cursos profissionalizantes, com direito à creche. Tiveram de desafiar muitas questões, certamente, mas daqui pra frente a impressão é que nada vai ofuscar a estrela daquelas mulheres. Esperança e coragem realmente são chaves que só funcionam de dentro pra fora. Do coração.
Gleice Carvalho, jornalista, dirige a Agência Cultura de Paz. E.T: sobre o título da seção, uma dupla homenagem. À minha cidade de origem, Boa Esperança, um dos mais incríveis luares do sul de Minas: meu orgulho mineiro e suas principais marcas como gosto pela observação e apreço às coisas simples da vida. A segunda homenagem, aos leitores do Saber Viver, no desejo de que as leituras de alguns cases e “causos” possam inspirar suas ações. E como somos o que acreditamos, este espaço trará muito do pensamento e visão do educador Daisaku Ikeda, que me fez acreditar e agir na Comunicação pela Cultura de Paz.
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