| Educação rima com
competitividade
José Roberto de A. Cunha Jr.*
A pequena Coréia do Sul, área territorial equivalente ao
Estado de Pernambuco, iniciou sua industrialização no início
da década de 60 (portanto posterior ao Brasil), passou por duas
grandes guerras e hoje é a 12ª potência da economia
mundial. No âmbito da estratégia desenvolvimentista utilizada
por aquele país, a ênfase dada à Educação,
Pesquisa & Desenvolvimento (P&D) e Exportação, foi
fundamental.
A visão da Educação como instrumento de promoção
do desenvolvimento econômico foi determinante para aquele país,
que massificou a educação básica com qualidade e
investiu no ensino médio técnico, voltado às áreas
lógicas (matemática), ciências em geral (laboratórios
de química e física), e especialmente visão empreendedora,
baseado no trabalho em equipe. A educação coreana permitiu
aos jovens, diferentemente dos brasileiros, ter mais afinidade com matemática,
ciências e inovação tecnológica, e, portanto,
próximos do mundo tecnológico não apenas pelo consumo,
mas como áreas para estudar, para trabalhar ou pesquisar.
Por outro lado, o governo coreano estimulou a aproximação
dos institutos de pesquisa das universidades aos das áreas de P&D
das empresas, em especial aos das pequenas indústrias. Este é
um bom modelo para o Brasil se espelhar se quiser crescer. Um país
com grande potencial de crescimento, que nos últimos anos tem intensificado
esforços para ampliar as exportações, precisa reformular
sua visão no tocante à tecnologia, já que o que a
indústria exporta é produto tecnológico, seja em
maior ou menor grau.
Basta lembrar que somente no estado de São Paulo temos 18 institutos
de pesquisa, que em geral estão pouco familiarizados com as necessidades
e potencialidades das micro, pequenas e médias indústrias
paulistas. Um desperdício de cérebros (inteligência),
de equipamentos e de dinheiro investido pelo Estado (ou seja, pela sociedade!)
Então, eis a minha consideração final: é
preciso ampliar a consciência de que educação, além
de contribuir para o desenvolvimento integral dos jovens, também
tem utilização direta no mercado de trabalho. E, finalmente,
é preciso estimular o empreendedorismo como complemento ao ensino
técnico e universitário”
* José Roberto de A. Cunha Jr. É m estre em Economia
Internacional,
professor de Cursos MBA na FIA/USP e FAAP, e preside o Sindicato dos Economistas
do Estado de São Paulo
|