A alegria em poder cuidar da Vida

“O ambiente urbano é de todos, então vamos deixar mais bonito pra gente mesmo”.  Lucineide de Oliveira Santos

 

Palavras de ordem simples, que podem mudar o cotidiano de seu bairro. Não constam de nenhum livro, mas da lição de vida de pessoas comuns que se dedicam a oferecer o seu melhor, pelo bem coletivo. Estão pavimentando, com esforço e coração, as bases dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, conhecidos como ODSs. Vamos ao case de hoje.

O local escolhido foi a Praça Elvira, localizada na Vila Gustavo, capital paulista…

Tudo estava tomado por mato, bichos e moradores passando longe. O ano era 2014, quando a moradora Lucineide de Oliveira Santos pensou dar fim a seu inconformismo. Aposentada, trabalhava cuidando de uma idosa e toda vez que a levava para passear se deparava com aquele abandono.

Decidiu colocar em prática tudo que estava aprendendo nas formações como agente ambiental. Na época o foco de atuação era o de seguir e aplicar os ODMs (Objetivos de Desenvolvimento do Milênio), precursor dos ODSs.  Trata-se de um esforço centrado pela ONU para inspirar pessoas comuns a se tornarem indutoras de práticas sustentáveis, para si e para o outro.

Não precisou pagar nada, tudo gratuito, primeiro no núcleo de agentes ambientais do Departamento de Cientistas (Depac) da Brasil SGI, que foi seu estímulo natural para voos futuros. “Estava recebendo treinamento para pensar global, mas agir no meu próprio local. Ser capaz de fazer a diferença onde eu estiver”, enfatiza.

Foi indicada para cursos na UMAPaz – Universidade Aberta do Meio Ambiente e Cultura de Paz, e teve seu primeiro contato com a Carta da Terra.  Parecia então tudo fazer sentido, dentro de uma receita do protagonismo social: descruzar os braços, abrir a mente à criatividade e uma boa dose de entusiasmo.  Era preciso sensibilizar a todos, transformar aquele local. “Deveria ser um local onde as pessoas pudessem passear, sentar, conversar. Decidi me mexer.” Relembra.

Precisaria aprender como captar recursos, mobilizar e tornar um projeto sustentável. Encaixou-se com alguns agentes no curso do método Oásis (Instituto Elos) , com as etapas para uma cadenciada movimentação, usando a Carta da Terra como base.  Os voluntários do Depac sabiam mais que ninguém que aquela ação traria muito mais que a merecida qualidade de vida para a região.  Estavam propondo uma quebra de paradigmas, baseada no princípio de que se cada um assumir a mudança pra si, o externo reflete essa mudança e se transforma.  Era preciso não só revitalizar o local, mas o coração de cada morador.

A estratégia –  Então o primeiro passo foi captar os sonhos dos que conviviam naquele espaço. Como se sentiam? Como gostariam que o local se transformasse?

Os desenhos e mapas foram sendo construídos, com liberdade de expressão. Divulgaram e marcaram um final de semana, para as atividades. Todos participaram com ideias e onde gostariam de atuar, sendo divididos em grupos.

Artistas locais, grafiteiros e escolas foram sendo mobilizados.

A prefeitura foi convidada a participar, tudo feito através de oficio e a lista de materiais que seriam necessários para revitalizar a praça. Mudas de plantas, alguns materiais para o parque, como brinquedos, mesas etc.  O comércio local também respondeu ao pedido dos agentes, oferecendo materiais de pintura. Uma churrasqueira foi recebida com alegria pelos moradores.

E no dia marcado, a hora do “mão na massa”. As crianças eram as mais empolgadas, alegria que contagiou a todos. Aos poucos tudo ganhou novo ar.  “Foi um mutirão maravilhoso, e depois de pronto só conseguia sentir satisfação, missão cumprida. Daí não parei mais”, sorri animada.

Mordida pelo bichinho do “poder realizar”

Nos anos seguintes, mais formações. Fez um seleto curso online pela Universidade da Costa Rica, com novos desdobramentos de ações. Os agentes continuaram no projeto de revitalização de praças, cuidando para que o aprendizado da comunidade se tornasse sustentável. Ou seja, a comunidade zelar por aquele local, buscando melhorias sempre. Hoje a Praça Elvira é frequentada pelos moradores com orgulho.

Seguiram-se novos projetos e inspirando novos cidadãos ao engajamento empolgado, agora nos ODSs – Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, plataforma criada pela ONU. São instituições que promovem o empoderamento de pessoas comuns para a prática da cidadania plena: cuidar da vida! Pessoas, ambientes, animais. Cuidar da Terra e tudo que nela existe.

E três anos depois, em 2017 o olhar voluntário da Lucineide encontrou uma nova missão. Dessa vez uma desgastada escada, localizada na Vila Pires, em Santo André (SP), próximo de onde passou a residir.  Passagem obrigatória para idas e vindas a escolas, supermercados e comércio de bairro, por ali diariamente subiam e desciam centenas de pessoas, em meio a sujeira, limo e descarte de lixo.

Era a vez então de cuidar daquele escadão, mal cheiroso e feio. A estratégia se repetia. Era preciso ouvir dos que ali moravam quais os sonhos para aquele local, repetindo-se o sucesso das demais versões.

Lucineide ressalta o papel precioso dos ODSs, em especial de sensibilizar as crianças, poder inspirar atitudes simples no dia a dia, e a se sentirem felizes em poder usufruir do que ajudaram a cuidar. “Sou uma apaixonada pela Carta da Terra, um documento romântico e  que tem a participação da SGI na sua construção. Tudo nos incentiva a ações simples e ao mesmo tempo tão significativas para fazer a diferença onde vivemos.”

A ação foi reportada à Comissão Nacional dos ODSs, com destaque para o que a própria comunidade pode fazer para fazer valer o exercício pleno da cidadania. Com simples atuações foram contemplados vários pontos do programa, mas o principal resultado certamente foi o empoderamento local, que pode servir de inspiração para muitos.  “Quando eu mudo, o mundo muda.”  Eis aí a materialização do que se lê  nos livros e frases replicadas nas mídias. De fato.

E ao se tornar voluntário, associado a uma instituição de valores e crenças sustentáveis, o resultado é realização plena.  Sua maior descoberta, revela a agente ambiental,  foi o poder do cidadão perante as conquistas sociais. “Há leis, há recursos. O resto é boa vontade e disposição. Atuar no Depac me fez reconhecer que as possibilidades de transformação dependem da gente”, comemora.  “Nós podemos fazer muita coisa.”

 

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