Diante do infinito, somos apenas um pálido ponto azul.

Carl Sagan*

Olhem de novo para aquele ponto. É ali. É a nossa casa. Somos nós. Nesse ponto, todos aqueles que amamos, todos os que conhecemos de quem ouvimos falar, todos os seres humanos que já existiram, vivem ou viveram as suas vidas.

Toda a nossa mistura de alegria e sofrimento, todas as inúmeras religiões, ideologias e doutrinas econômicas, todos os caçadores e saqueadores, heróis e covardes, criadores e destruidores de civilizações, reis e camponeses, jovens casais apaixonados, pais e mães, todas as crianças, todos os inventores e exploradores, professores de moral, políticos corruptos, “superastros”, “líderes supremos”, todos os santos e pecadores da história de nossa espécie, ali – num grão de poeira suspenso num raio de sol.

A Terra é um palco muito pequeno em uma imensa arena cósmica. Pensem nos rios de sangue derramados por todos os generais e imperadores para que, na glória do triunfo, pudessem ser os senhores momentâneos de uma fração deste ponto. Pensem nas crueldades infinitas cometidas pelos habitantes mal distinguíveis de algum outro canto em seus freqüentes conflitos, em sua ânsia de recíproca destruição, em seus ódios ardentes.

Nossas atitudes, nossa pretensa importância, a ilusão de que temos uma posição privilegiada no universo, tudo é posto em dúvida por este ponto de luz pálida. O nosso planeta é um pontinho solitário na grande escuridão cósmica circundante. Em nossa obscuridade, no meio de toda essa imensidão, não há nenhum indício de que, de algum outro mundo, virá socorro que nos salve de nós mesmos. 

Carl Sagan – (de “Um pálido ponto azul”, 1994)

*O autor deste livro emblemático, que ainda hoje lança luz à incontestável simbologia: nossa interdependência, nossa insignificância diante do invisível vírus, que nos torna ainda mais impotentes. É hora de despertar.
Celebrar o Dia da Terra, 22 de abril, a partir de uma nova postura diante da vida.

A imagem: Em fevereiro de 1990, a espaçonave robótica Voyager 1 estava voltando de sua viagem para estudo do Sistema Solar quando a NASA lhe deu um comando: “tirar uma fotografia da Terra, de uma distância de seis bilhões de quilômetros. Na foto, a Terra é um mero pontinho azul, quase imperceptível. Essa publicada foi remasterizada, anos depois.