Assim como na natureza, nossa vida imita as dores e os sabores da sabedoria. Essa aqui é oriental, milenar, e espero possa lançar luz à sua condição de vida, no trabalho ou nas relações humanas.

Fala de uma lenda, que bem retrata características singulares de carpas e dragões.  Bom, a carpa é um peixe de origem chinesa que vive em água doce. Decora jardins e é muito famosa entre as pessoas que possuem tatuagem e às vezes podemos contar com a sua presença em alguns animes e mangás.

Vamos à cena, gerada por essa passagem encontrada na filosofia oriental.   Segundo a lenda, a carpa tinha que atingir a fonte do rio que corta a China, o Huang Ho (Rio Amarelo), na época da desova. Para isso, tinha que nadar contra a correnteza e saltar cascatas até à montanha Jishinhan. A carpa que alcançasse o topo tornava-se um dragão, conquistando o poder de controlar a chuva, os trovões e as tormentas.

Assim, inúmeras carpas reúnem-se aos pés da cachoeira na esperança de transpor suas águas, que precipitam de uma altura de trinta metros, a uma velocidade superior à de uma flecha lançada por um robusto arqueiro. Algumas são arrastadas pela forte correnteza, outros caem nas garras de aves de rapina ou de pescadores.

Do alto, o dragão se agigantava na visão das carpas, diante do desafio imposto. Por mais que tentassem, era quase impossível subir. Assim muitas se acomodavam, descrentes de sua possibilidade de alcançar o topo. Estagnadas, eram alvo de pescadores, enfileirados às margens. Restava às carpas, portanto, duas opções:  tentar subir diante de toda a dificuldade ou morrer de velhice ou alvo de animais e pescadores.

Difícil decisão. O que você faria?  Em muitos países do Oriente, até hoje, emprega-se a expressão “escalar o Portal do Dragão” como sinônimo de luta contra os obstáculos ou de superação de grandes barreiras para chegar ao êxito na sociedade ou na profissão. Daí por ser adepta da filosofia oriental há anos, dei a minha versão, repaginada dessa metáfora. E que segue:

Em essência, acredito que todo ser humano nasce “ dragão”, livre de medos e vícios, uma tela branca que vai ganhando cores e nuances no decorrer da vida. Diante do ambiente interno e externo (família, relacionamentos, traumas e estímulos), pode fortalecer sua personalidade e nadar com força na correnteza da vida ou perder a esperança e afugentar-se nas paradas águas do comodismo, medo de tentar de novo.  Acreditar ser simplesmente carpa.

Se assim como na lenda das carpas e dragões há duas opções, então considero que seja a de resgatar nossa natureza humana de “ dragão”. Pode ser que esteja amortecida pelas pedradas da vida, mas está inerente, basta seguir o comando de sua mente, poderosa e rejuvenescedora.

Diariamente lutamos contra a correnteza, isso é certo. Mas o importante é não perder para nós mesmos.  Por isso, por mais que tentem te convencer que você é uma carpa, só você poderá responder. E respostas são atitudes, compromisso com a vitória, com o bem comum. E só assim poderá controlar suas tormentas internas, sua condição de vida e seu futuro. É claro que não há nada contra as carpas, o que se deve dominar é o temor, a paralisia frente um desafio que possa parecer inatingível.

Em essência, acredito que o ser humano busca estímulos para superar as dificuldades, inspirar-se para uma vida feliz e plena. Tatuar no coração âncoras como coragem, esperança e dias melhores.

O ponto de reflexão aqui é que se a vida é pra ser vivida, aqui e agora, e mesmo que o dia-a-dia esteja longe de ser uma brincadeira ou que a tatuagem de hoje já não mais reflita seu interior, vale a pena parar um instante, ver que a correnteza é brava,  mas ficar parado não faz parte da natureza de um vencedor. Viva seu momento de transmutação! Libere seu dragão agora!   – Gleice Carvalho